domingo, 15 de janeiro de 2012

Um rodoanel para bicicletas e os ônibus que gritam

Li com surpresa e gosto no Mobilize Brasil que a Alemanha está na frente também no enfrentamento do trânsito. Para ligar Dortmund a outras cidades importantes, o governo planeja uma ciclovia expressa que porá fim ao enorme tráfego na entrada dos municípios. A ideia é boa e pode mesmo ajudar a desafogar. Em São Paulo, além de pouca perspectiva para os ciclistas, é preciso conviver com a enorme poluição que os veículos produzem. Faça o teste. Saia daqui por apenas uma semana, volte e caminhe pelas calçadas. Não é necessário ir à Florianópolis, como fui, mas a qualquer outro lugar do Brasil. Os ónibus parecem monstros nervosos que voam com pressa. A cada parada simples, um barulho de acidente. Gostaria muito de poder medir os decibéis dos que passam e percorrem a Avenida Doutor Arnaldo. É impressionante. A bicicleta, coitadinha, não é nem miado perto desses brutamontes. Há de chegar o tempo de coletivos mais silenciosos, mas não há previsão. É desafiador, portanto, sair por aí e escutar música num pequeno fone. Com exceção dos fretados, que trazem um pouco mais de conforto e isolamento, e lugares próprios para o descanso, como parques e bibliotecas, a cidade está ilhada da mais perfeita gritaria. São Paulo grita com você e não há como fugir do grito. A solução não é gritar de volta, certamente. Num primeiro momento, o jeito é tentar evitar as alturas, pelo menos um pouco. Na terra da vertigem sonora, somos todos candidatos a surdos. E pior, vamos ensurdecer parados no trânsito.

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